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Este espaço é dedicado para divulgar as viagens e os eventos que tenho realizado. Vale também como dicas para aqueles que se interessam por turismo, teatro, cinema e tv. Sejam bem vindos !

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By Ferramentas Blog

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Ilha Anchieta (Ubatuba) e a relação com o filme "Corações Sujos"

A Ilha Anchieta (Ubatuba) tem uma forte relação com o filme Corações Sujos, dirigido por Vicente Amorim. Vou explicar, mas antes, quero que vocês conheçam um pouco da história dos japoneses após a Guerra.

SHINDO RENMEI: Em 1942 na cidade de Marília (SP), houve uma cerimônia de casamento de famílias japonesas no melhor hotel da cidade. E a cidade se encheu de japoneses vindos de todas as regiões. Poucos dias antes, cinco navios brasileiros haviam sido afundados pelos países inimigos e o afluxo de tantos japoneses em clima festivo, vestidos para o casamento, pareceu ostensivo deboche a muitos marilienses. Correu a notícia de que os japoneses ali estavam em movimento subversivo, o casamento era apenas pretexto para a reunião. Resultado: a festa terminou  invadida por populares revoltados resultando em dezenas de feridos. A violência foi generalizada; dela não escaparam crianças, velhos nem mulheres. Retirado rapidamente da festa, o coronel Kikawa e mais alguns foram levados para Quintana, uma cidade próxima. Reunidos no galpão de uma chácara com mais cem atentos orgulhosos simpatizantes, o coronel Junji Kikawa, esfuziante, fazia o brinde: “ no tempo de guerra, a única forma de mostrar fidelidade à pátria é cumprir com as obrigações dos súditos do trono. A colônia já não está mais órfã. O imperador  não será mais ultrajado no Brasil. Hoje nasceu a Shindo Renmei , a Liga do Caminho dos Súditos. Longa, mas muito longa vida à Shindo Renmei!”. Acompanhou o coronel Kikawa no brinde com saquê o coronel Jinsaku Wakiyama, o capitão Kiyo Yamauchi, Ryotaro Negoro e Seiichi Tomari,  importantes membros da futura organização. Ali nascia, de parto amadurecido, a organização que viria a trazer por um lado, o terror para alguns e um certo orgulho e conforto psicológico para a maioria da colônia. (Corações Sujos - Fernando Morais) 

O fim da guerra e a veiculação notícia da derrota do Dai Nippon (Grande Japão), nação de 2.600 anos de história e que até aquele momento não havia nunca sido derrotada, caiu como "um raio" na colônia japonesa aqui radicada. Acreditar ou não nas notícias veiculadas pelos "inimigos norte-americanos"? Se até outro dia o Japão estava de forma retumbante esmagando seus inimigos? Confusão e descrença, falta de informações " confiáveis" e boatos, levaram a uma divisão entre os japoneses aqui radicados. De um lado os katigumi("vitoristas"), que devido a falta de fontes de informação em língua japonesa e pela maioriaviver quase que isolada no interior do Estado de São Paulo, acreditavam na vitória do Japão na guerra,este grupo perfazia quase 80% da colônia. Acredita-se também que boa parte daqueles que formavam o grupo katigumi eram imigrantes que não conseguiram se adaptar a realidade brasileira, muitos não obtiveram o sucesso almejado e desse modo alimentavam a esperança na crença " quase cega" da vitória do Japão e do retorno à pátria.
De posição contrária se encontravam os makegumi ("derrotistas" ou "esclarecidos"), grupo formado por aqueles que tinham acesso aos meios de comunicação em língua portuguesa, possibilitando assim a formação de uma consciência da verdade e que, por esses motivos, divulgavam a notícia real de que o Japão havia perdido a Guerra e consequentemente o Imperador Hiroito deixava de ser uma figura "divina". Havia um terceiro grupo, bem menor, chamado pelo memorialista Tomoo Handa de "lero-lero", aqueles que não se definiam nem por um lado nem por outro.
A Shindo tinha sua sede na Rua Paracatu, 96, no bairro do Jabaquara, na capital paulista e outras 64 filiais espalhadas pelo interior do Estado de São Paulo. Entre os documentos apreendidos na sede da sociedade pela a Polícia Política (DOPS) que investigava o caso, havia ummapa e uma lista das principais cidades e de seus sócios-contribuintes. A cidade de Marília encabeçava a lista com cerca de 12.000 associados, logo depois vinham Pompéia (10.000), Tupã (8.500), Mirandópolis (5.700) entre outras. A maior parte dos associados se encontrava nas regiões da Noroeste e da Alta Paulista no Estado de São Paulo.
Até o início de 1946 elementos ligados a Shindo usavam da intimidação escrita e verbal para com os japoneses considerados makegumis, que estivessempropagando a derrota do Japão por meio de cartas, bilhetes ou até mesmo cartazes afixados nas cidades do interior, todos em língua japonesa. Das ameaças escritas, passou-se para atentados com bombas caseiras e logo depois para assassinatos. (Shindo Renmen, uma breve história do imigrantes japoneses no Brasil, Rogério Dezem)


" Na época da guerra, os japoneses foram proibidos de escutar notícias pelo rádio, mas meu pai tinha um e ouvia escondido. Ele escutou o discurso do imperador Hirohito declarando a derrota do Japão e contou aos seus funcionários.De manhã, um caminhão passou em casa com um sobrinho, dizendo que meu pai tinha se machucado. Me disseram que ele havia levado um tiro no pé, mas não devia ser grave. Quando cheguei à casa de meus pais, havia um caixão na mesa da sala. Papai havia morrido. Meu pai, Ikuta Mizobe, foi a primeira pessoa assassinada pela Shindo Renmei (organização secreta que não aceitava a derrota japonesa na Segunda Guerra), em 1946.Quem gosta que o seu país, a terra onde você nasceu, perca uma guerra? Ninguém! Como é que alguém fala que meu pai ficou contente por que o Japão perdeu a guerra? Deu raiva de quem mandou matar. Não perdôo, não."  (Aiko Higuchis egurando o bebê na foto ao lado, filha da primeira vítima do Shindo Renmei)  

ILHA ANCHIETA:   Em abril de 1946 o DOPS dava início ao desmantelamento da Shindo. A maioria de seus dirigentes e principais líderes, em pouco mais de dois meses, foi presa e enviada para a Casa de Detenção de São Paulo. Dos japoneses presos, 155foram enviados para o presídio da Ilha Anchieta, litoral norte do Estado de São Paulo, dos quais 81 foram condenados a expulsão do território nacional em decreto presidencial de agosto de 1946. A efetivação da pena era aguardada por alguns dos presos ansiosamente, pois seriam enviados de volta ao "vitorioso" Japão. Isso nunca ocorreu e a maior parte foi colocada em liberdade entre os anos de 1948 e 1949. (Shindo Renmen, uma breve história do imigrantes japoneses no Brasil, Rogério Dezem)

Cheguei a ir várias vezes para a Ilha Anchieta, mas depois que me aprofundei na história do Shindo Renmei, passei a ver aquele lugar com outros olhos.


Curiosidade: O CAMARÃO NA MORANGA
Diz a lenda que um pescador foi até a Ilha de Anchieta comprar umas morangas dos japoneses que estavam presos lá e que cultivavam abóboras. No caminho, uma das morangas caiu do seu barco e após alguns dias foi encontrada em uma das praias de Ubatuba. Uma cozinheira encontrou a moranga e levou para casa, quando cortou a tampa daquela abóbora viu que estava cheia de camarões, resolveu, então, cozinhá-la com os camarões dentro. Daí nasceu o camarão na moranga 


             
                                                                                                                                                                           

                                                                                                                                             
                                                                                                                                            
                                                                                                                                  
                     

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Você conhece São Paulo de verdade ? - Cemitério da Consolação parte 1

       Tenho muito orgulho em dizer que faço monitoria no Cemitério da Consolação. É o maior museu a céu aberto do Brasil. Afinal, onde podemos encontrar tantas celebridades de diferentes épocas em um só lugar ? Fora isso, existem histórias fantásticas de amor, mortes e milagres lá dentro. Por isso, convido-os para um pequeno passeio pelo Cemitério da Consolação.

POPÓ: antes de começar falar sobre o Cemitério da Consolação, gostaria de dizer algo sobre quem me orientou e tirou (e ainda tira) as minhas dúvidas sobre os túmulos do Cemitério. O nome dele é Francivaldo Gomes, mais conhecido como Popó. No ano de 2.000, Popóp trabalhava como sepultador e acompanhava o prof. Délio Freire dos Santos (historiador e ex-administrador do cemitério) quando aconteciam as visitas monitoradas. Começou, a partir daí a se interessar pelas histórias e acabou tornando-se um discípulo do prof. Délio. Após a morte do professor, o Cemitério ficou sem guia e Popó foi solicitado para acompanhar os visitantes. Hoje, ele trabalha na admnistração e continua fazendo a monitoria, além de orientar outros que fazem esse tipo de acompanhamento quando ele estiver ausente (como é o meu caso !). 

CEMITÉRIO DA CONSOLAÇÃO: Há muito tempo atrás sepultavam os mortos em solo sagrado, isto é, dentro das Igrejas, porque acreditavam que a proximidade com os santos fariam com que chegassem ao paraíso. Detalhe: reza a lenda que, quanto mais se pagava à Igreja, mais perto do altar ficariam, e assim chegariam mais rápido. O mau cheiro presente no interior das igrejas provinha dos corpos sepultados em seu interior, sendo, entre outros fatores, uma das causas da proliferação de doenças daquela época, fez com que resolvessem criar um cemitério público na cidade. .Após anos de pesquisa e várias opções (pensaram ao lado da Igreja da Consolação, em Higienópolis), resolveram construir o Cemitério "longe" da cidade, no alto e onde a terra fosse boa. 

Marquesa de Santos: Foi graças à doação da Marquesa de Santos (Maria Domitila de Castro Canto e Melo) que foi construída a capela do cemitério. Putino importado (anjo) em mármore branco, suportado por uma base tumular , também em mármore com 4 colunas e cobertura.
  



Monteiro Lobato: Quem não conhece Emilia, Tia Anastácia, Dona Benta, Narizinho e Pedrinho ?  Mas, além de ser conhecido como um escritor de livros infanto juvenis, Monteiro Lobato engajou-se em campanhas por saúde, defesa do meio-ambiente, reforma agrária e petróleo, entre outros temas que continuam atuais. Sua base tumular  é trapezoidal em granito negro com o seu nome  e uma guirlanda  de bronze representando a vitória e que obteve destaque na vida.Todos os anos,em 18 de Abril (dia do seu aniversário), vem uma caravana de pessoas de Taubaté vestidas como personagens do Sítio do Pica Pau Amarelo para festejarem no túmulo de Monteiro Lobato.


Tarsila do Amaral: Tarsila do Amaral foi uma das mais importantes pintoras brasileiras do movimento modernista. Nasceu na cidade de Capivari (interior de São Paulo), em 1 de setembro de 1886.Participou do "Grupo dos Cinco", junto com Anita Malfatti, Mario de Andrade, Oswald de Andrade e Menotti Del Picchia. Este grupo foi o mais importante da Semana de Arte Moderna de 1922, embora Tarsila não tenha participado do evento. Seu túmulo é muito simples pelo o que representou para a cultura brasileira. Túmulo em granito simples sem qualquer decoração, com apenas uma placa em bronze da família. 


Ruth Cardoso: Foi primeira dama, esposa do ex presidente, Fernando Henrique Cardoso. Doutora em antropologia pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, Ruth Corrêa Leite Cardoso foi pioneira no reconhecimento da emergência, na década de 1970, dos movimentos sociais que abrigavam minorias por questões de gênero, étnico-raciais ou de orientação sexual. Nos oito anos em que esteve no poder ao lado do marido, dona Ruth - como passou a ser chamada - decretou o fim da LBA (Legião Brasileira de Assistência), entidade assistencialista, tradicionalmente presidida por primeiras-damas (título de que ela não gostava e preferia não assumir). Fundou e presidiu o Comunidade Solidária, que tinha como foco o fortalecimento da sociedade civil. Para garantir a continuidade dos programas gerados nessa entidade, criou a organização não-governamental Comunitas, em que permaneceu atuante até o fim da vida. Base tumular provisória, representada por um tampo em granito natural, com uma pequena placa com o seu nome e datas, onde se lê a frase: "Uma andorinha que fez verão"

Existem muitas outras celebridades que falarei mais tarde. Mas estão lá: Mário de Andrade, Oswald de Andrade,  Emilio Ribas, Anália Franco, Dr. Pinotti, Ricardo Jafet, Luís Inácio de Anhaia Melo, muitos artistas e políticos.





Autor: Arlindo Castelane(1910-1985)

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

        TOORO NAGASHI ( Registro - SP) 
     01,02,03 E 04 DE NOVEMBRO DE 2012

      O Tooro Nagashi é tradicionalmente realizado no Japão. O Evento acontece ao anoitecer do último dia de Finados. (no Japão são 3 dias). Os participantes soltam barquinhos (tooros) contendo velas acesas e o nome dos falecidos no rio ou no mar para homenagear as almas dos antepassados. No Japão, o mais famoso Tooro Nagashi é o de Nagasaki. Conforme a região, soltam-se os barquinhos durante a festa de Tanabata. No estado de São Paulo tivemos a festa na sua versão número 55 de Tooro Nagashi em Registro no dia 01 e 02/11/2009, com frequência de um público superior a 10.000 pessoas, sendo que a cada ano tem aumentado a afluência de pessoas.O festival japonês, tem uma variação de datas, conforme o local onde é realizado, mas sempre relacionado a datas fúnebres, o mais famoso Tooro Nagashi do mundo é realizado em Nagasaki, no dia do bombardeio atômico. No Brasil é tradicionalmente realizado no Dia de Finados, em 2 de novembro, na cidade paulista de Registro.
     

Roteiro:
01/11 - Saída de São Paulo às 20:30
02/11- Manhã livre para comprar os barquinhos e descanso. À noite iremos à Festa de Tooro Nagashi, com shows, danças típicas e barracas de comidas típicas japonesas.  Após soltar os barquinhos iluminados haverá a queima de fogos.
03/11 - Na parte da manhã vistaremos a Caverna do Diabo, a maior do estado de São Paulo. Dos seus 6.500 mestros, somente 700 m poderão ser visitados por turistas. Esta área dispõe de sistema de som e luz, passarelas, escadas e corrimãos. Almoço em Eldorado.  Depois do almoço visita ao QUILOMBO DE IVAPORUNDUVA que é uma comunidade remanescente de escravos, que vive de forma tradicional, preservando sua cultura, praticando a agricultura sustentável e vivendo em harmonia com a natureza de seu território.
04/11/2012 - Visita à fábrica de esteiras, almoço em Registro e ao Templo Budista. Após o almoço retorno à São Paulo.


  


  
VALOR: R$ 450,00
Inclusos: ônibus com toalete, ar condicionado, tv e dvd; guia credenciado pelo Ministério de Turismo, serviço de bordo com lanche, café, chá e água, sistema de meia pensão (café da manhã + 1 refeição por dia), passeios em Registro e Eldorado.
Não estão inclusos: gastos extras (telefonemas, frigobar do hotel, lavanderia, etc), bebidas nas refeições, ingresso na Caverna do Diabo.





sexta-feira, 15 de junho de 2012

Depois de quase 1 ano estou retomando o meu blog, é hora de recomeçar, de regularizar a minha vida. Parei com o blog depois que o meu pai faleceu. De lá prá cá muitas coisas aconteceram. Vida nova, casa nova, cachorros novos, e um casamento à vista.
As viagens continuam e as produções também.
Bem, vamos lá, mãos na massa porque a vida continua, entre espinhos e pedras, meu caminho sempre tem algumas flores !

Bjs